
Aquele mesmo ano [1967] marcaria um novo sucesso na carreira de Catherine [Deneuve]. Ela encarou a heroína de A Bela da Tarde (Belle de Jour) de Luis Buñuel. O velho mestre não se enganou ao escolhê-la para viver a personagem de Sévérine, uma mulher de classe média, com rosto frio e puro, que realiza as obsessões eróticas de sua mente. Toda estrela, certa ou erradamente, acaba sendo identificada com um filme e uma personagem. Para Catherine foi A Bela da Tarde. O filme teve sucesso mundial e virou um clássico, mas quabdo estreou em Paris os críticos o receberam com indiferença e não lhe fizeram justiça. Um jornalista com mais percepção escreveu no Positif: "Os brilhantes cérebros de nossos críticos manifestaram em coro o desapontamento causado neles por A Bela da Tarde... mostrando com isso o enfraquecimento de seu córtex cerebral".
Lembro-me de Catherine, completamente consternada, mostrando-me as críticas que recortara dos jornais. Mesmo assim o público formava filas nas portas dos cinemas que exibiam A Bela da Tarde.
Roger Vadim,
Bardot, Deneuve & Fonda - As memórias de Roger Vadim.
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Na minha galeria particular de personagens favoritos, Sevérine Serizy, a esposa fria que leva uma vida dupla à tarde (ou parece levar, que no filme a gente não sabe ao certo se o que acontece é realidade ou se são apenas os sonhos dela), tem destaque.
A beleza de Catherine Deneuve, as roupas sensacionais de Yves Saint-Laurent (que começaria assim uma amizade para a vida inteira com a estrela francesa), o clima onírico e charme escandaloso do filme são irresistíveis. A história da esposa que tem desejos desconhecidos do seu marido é interessante sempre, e atraente mesmo quando não se está entendendo muita coisa do que se passa. Ou não provocaria em Dona Geralda, que não fala francês nem lê legendas, uma reação indignada, ao ficar comigo na sala enquanto eu assistia ao filme, há séculos:
- Mas Lane, que galega safada! O marido tão rico, tão bonito, dá tudo a ela, e ela ainda arraja outro?! Tem muita mulher que não presta...
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